TDAH: mudança de comportamento na família e escola é essencial para sucesso no tratamento

Transtorno neurobiológico, de causas genéticas, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é caracterizado por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

Assim como o autismo, é preciso ser cauteloso quanto ao diagnóstico. De acordo com a psicopedagoga Débora Lisandra Boeno, este diagnóstico é feito por neuropediatras, neurologista ou ainda psiquiatra, também pode incluir outros profissionais como Psicólogos, Psicopedagogos… os quais investigam o comportamento na família, na escola e mais algum lugar que esta criança frequenta, e, então se levanta a hipótese ser ou não um quadro de TDAH.

Débora diz que, hoje, vive-se em um outro contexto social, onde a criança está hiperestimulada o tempo todo (sociedade impaciente e pautada no imediatismo), e isso gera inquietação e déficit de atenção, mas não de ordem neurobiológica, e sim de meio social. Ás vezes a criança pode apresentar inquietação e ou desatenção em algum momento da vida porém a manifestação desses sintomas de forma isolada ou pontual não significa que ela tenha o transtorno.

Pacientes diagnosticados com TDAH, muitas vezes, além de terapia Psicológica e intervenção Psicopedagogica, necessitam usar medicação, que se usada sem necessidade pode causar efeitos colaterais e dependência. “As crianças    chegam aqui geralmente quando iniciam o processo de alfabetização na escola, com seis, sete anos, e por serem crianças inquietas, sem foco e concentração, têm dificuldade de aprender. E aí surgem os primeiros indícios.”

Contudo, Débora esclarece que o TDAH antecede a entrada no ensino fundamental, e que esta já deve ter apresentado sinais na Educação Infantil,  mas, que acabam muitas vezes passando despercebidos devido nesta fase a criança ser mais movimento.

Tipos do transtorno
Segundo Débora, os referências teóricos apontam três tipos de TDAH: O predominantemente desatento, o hiperativo/ impulsivo e o combinado.

Também é muito comum estas crianças desenvolver ansiedades, depressão e insucesso escolar.

O que é preciso para tratar pacientes com TDAH?
A psicopedagoga diz que a criança com o transtorno precisa de regras e limites, assim como qualquer outra, é necessário que os pais utilizem uma linguagem clara e precisa com o filho associado a uma rotina. “Quanto mais a família está desestruturada, desorganizada, em termos de rotina mais difícil será para a criança se organizar. ¨ A criança com TDAH precisa de rotina e de acompanhamento muito próximo feito pelos pais ou responsáveis, aliado há  reforço positivo as suas conquistas”.

Como o transtorno afeta as questões executivas do cérebro, o aluno na maioria das vezes apresenta baixo rendimento escolar. Por isso é importante que ele tenha adaptações curriculares, Débora lista algumas mudanças que geralmente são propostas aos professores: redução de cópia de quadro, tempo extra para avaliações, avaliações mais compactadas ou orais e o uso de calculadora. “E se a criança tiver alguma comorbidade associada, então poderá precisar também de um plano especial de trabalho.”

O papel do psicopedagogo
O psicopedagogo atua na orientação junto da criança, construindo com ela uma rotina de estudo e também diretamente nas suas dificuldades escolares. “ O nosso trabalho objetiva desenvolver a atenção e concentração por meio de jogos variados. E na escola, com os professores, fazendo algumas orientações  em relação a avaliações e formas de aprender destas crianças, ¨ o psicopedagogo é um aliado do professor junto a alunos com dificuldades¨.

Débora faz um alerta importante quanto ao uso das tecnologias em crianças com TDAH. “É extremamente prejudicial Crianças menores de três anos serem expostas às tecnologias. Nesta idade, está em pleno processo de desenvolvimento neuropsicológico e isso pode causar danos.  E em um quadro de hiperatividade, isto se acentua, pois a criança fica contida em um tablet, e não concentrada como a maioria dos pais acredita.

A profissional completa que conforme a criança com TDAH for crescendo e se desenvolvendo, os sintomas vão se minimizando quando ela é medicada e tratada com profissionais, aliados à mudança de comportamento de rotinas em casa e na escola.

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