Etiqueta também é importante ao usar o WhatsApp


Um aplicativo que permite a troca de mensagens de texto, vídeos, fotos e áudios e ligações de forma rápida e eficiente. Sim, o WhatsApp, pela sua praticidade, tem encurtado distâncias e facilitado a vida social e profissional. Contudo, muitos usuários extrapolam as regras e o bom senso ao utilizá-lo.

Vinicius da Silveira Serafim, mestre em Ciência da Computação pela UFRGS e professor na área há 16 anos, com foco de trabalho na segurança da informação, explica que quando se fala em regras de boa convivência no WhatsApp, há dois pontos que merecem atenção: contatos e grupos.

Ao realizar o primeiro contato, seja pessoal ou profissional, pelo WhatsApp, atente à abordagem. O ideal é se identificar e dizer, ou melhor, escrever, o que precisa. Serafim explica que o WhatsApp tem a opção de que apenas os contatos do usuário vejam a sua foto no aplicativo. É uma forma de privacidade e também de segurança.

Ele ressalta que não se pode esquecer a interpretação do que é escrito no aplicativo. “As pessoas não podem levar em conta como estão se sentindo para interpretar o que o outro escreveu. Por não estarem se olhando, duas pessoas ou mais conversando falam coisas que não falariam pessoalmente. E quando substituímos o presencial por texto no WhatsApp, isso pode gerar impessoalidade e conflitos. Por isso, é necessário analisar quais conversas podemos ter via WhatsApp e quais ainda precisam ser pessoalmente”, completa.

Outra dica relevante que o professor comenta diz respeito à exigência do imediatismo nas respostas. Depois que o aplicativo permitiu a confirmação de leitura da mensagem, mais do que nunca, precisa ficar claro que nem sempre aquele que visualizou e leu a mensagem está disponível para respondê-la na hora. “A confirmação de leitura das mensagens pode ser desligada. É preciso respeitar o espaço do outro e aguardar a resposta dele. Por que a resposta tem que ser imediata?” questiona Serafim.

Quanto aos grupos, ele comenta sobre a inclusão de contatos sem que sejam consultados anteriormente. “Considero inapropriado adicionar alguém a um grupo sem que ela, antes, consinta com a adição”. Acrescenta ainda: “deve-se procurar manter o conteúdo do grupo adequado ao seu propósito. Grupos que viram lista de “bom dia”, correntes, memes, vídeos e imagens que nada tem a ver com o seu propósito vão fazer com que os participantes naturalmente parem de acompanhar o grupo”.

Segundo Serafim, um ponto que merece destaque diz respeito ao uso do aplicativo para resolver questões de trabalho fora do horário combinado. “Isso é um problema bem sério, que gera problemas trabalhistas para as empresas. Obrigar o funcionário a ficar lendo mensagens fora do horário e resolvendo questões da empresa pode configurar trabalho. E a prova disso é a mensagem. Se o funcionário não esta sendo compensado financeiramente e dentro dos parâmetros legais, o empregador poderá ter problemas.”

Para finalizar, o professor ressalta que se deve tomar muito cuidado com conteúdos inadequados recebidos e repassados via aplicativo. “É crime distribuir conteúdo pornográfico infantil e quem recebe é denuncia ou torna-se cúmplice. Para denunciar, basta ir ao cartório, onde é feita uma ata notarial e logo após procurar uma delegacia da Polícia Civil.” Por fim, destaca: “não há diferença entre real e virtual, o que fazemos na Internet é tão real quanto qualquer outro ato do nosso cotidiano e as consequências também.”

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